LINHAS PEDAGOGICAS: VEJA COMO ELAS FU7NCIONAM E QUAL TEM MAIS A VER COM SEU FILHO.

Linhas pedagógicas: veja como elas funcionam e qual tem mais a ver com seu filhoAna Okada Em São Paulo Atualizada às 11h35 Cada escola usa os preceitos de uma ou mais linhas pedagógicas para “moldar” suas aulas. Essas teorias, no entanto, nem sempre se manifestam puramente no dia a dia dos alunos. Segundo a professora Cecília Hanna Mate, da USP (Universidade de São Paulo), é possível encontrar práticas que utilizam um ou mais aspectos de diversas linhas ao mesmo tempo, assim como é possível haver posturas individuais de escolas que seguem apenas uma dessas tendências. O que você leva em conta ao escolher a escola do seu filho? Opine A professora, no entanto, pondera que a metodologia de ensino é apenas um dos fatores que rege a sala de aula: “É fundamental entender que no cotidiano de uma sala de aula há sempre o imprevisível e o imponderável, que as tendências procuram prever, regular, classificar, pois a pedagogia é uma normatização da conduta, da inteligência e do sentimento”. Linhas pedagógicas modificam o dia a dia do estudante (18.ago.2009 – Danilo Verpa/Folha Imagem) Segundo os especialistas consultados pelo UOL Educação, a coordenação pedagógica da escola é quem deve informar os pais sobre qual linha pedagógica é adotada na instituição. [Veja quatro perguntas para fazer ao coordenador da escola durante a visita] Mais do que saber a pedagogia que a escola adota, é interessante que os pais possam verificar, durante as aulas normais dos alunos, exemplos de atividades que são realizadas nas aulas, para que se possa comparar o que é dito ao que é de fato ensinado. Saiba mais sobre algumas das linhas pedagógicas mais adotadas nas escolas brasileiras: Escola comportamentalistaComo funciona: A concepção comportamentalista enfoca a técnica, o processo e o material postos em jogo. O ensino deve ser bem planejado, com materiais instrucionais programados e controlados. O objetivo é que os resultados possam ser mensurados e que o estudante adquira os comportamentos desejados, moldados segundo necessidades sociais determinadas. Por essa pedagogia, o professor tem como tarefa controlar o tempo e as respostas dos alunos, dando-lhes feedback constantes. O aluno é visto como alguém que pode aprender a partir de estímulos, que são recompensados, caso os objetivos sejam alcançados. Avaliação: O processo de avaliação é feito por provas, semelhantes às da linha tradicional. Escola construtivistaComo funciona:No construtivismo, o saber não é passado do docente ao aluno: o estudante é que constrói o conhecimento, por meio da formulação de hipóteses e da resolução de problemas. O objetivo do construtivismo é que o aluno adquira autonomia. A ênfase está no aspecto cognitivo. As disciplinas são trabalhadas em uma relação mais próxima com os alunos e envolve diversos elementos, como música e dramatização. As séries são organizadas em ciclos. Avaliação: A linha construtivista foi idealizada para que não houvesse provas, uma vez que o aluno deve construir o conhecimento ao longo das aulas. As escolas, no entanto, podem adaptar esse conceito em suas avaliações. Apesar de estar muito em voga no Brasil e em muitos países ocidentais, há também muitas controvérsias quanto à aplicabilidade do construtivismo em nossa realidade. Segundo a professora Cecília, falta de condições estruturais (como condições de trabalho dos professores e o número de alunos por sala) e aspectos políticos e ideológicos são alguns dos pontos criticados por especialistas. Escola freirianaComo funciona: Pela pedagogia baseada nas ideias de Paulo Freire, que é mais voltada para a alfabetização, os aspectos culturais, sociais e humanos do aluno devem ser levados em conta. Esta postura implica em ouvir o aluno para ajudá-lo a construir confiança, para que ele possa entender o mundo por meio do conhecimento. Segundo Freire, o conhecimento faz sentido para o estudante quando o transforma em sujeito que pode transformar o mundo. Bom senso, humildade, tolerância, respeito, curiosidade são alguns dos princípios defendidos por essa corrente. A educação se torna uma ferramenta para “libertar” o aluno. Avaliação: Assim como a linha construtivista, pedagogia de Paulo Freire não prevê provas, mas as escola podem ter avaliações. Escola montessorianaComo funciona: A metodologia foi criada pela educadora italiana Maria Montessori e parte do princípio da experiência concreta e da observação. A ideia é que o aluno possa utilizar o conhecimento que já tem como base para a abstração e, assim, assimilar novos conceitos. As salas de aula das escolas que adotam essa pedagogia têm, em média, 20 alunos e procuram ter diversos materiais para estimular a aprendizagem. Em vez de a professora passar as lições, as atividades ficam dispostas em sala e o aluno escolhe qual irá fazer no dia. Ele deve cumprir os módulos obrigatórios para avançar os estudos. As salas podem ser ordenadas por séries, como no ensino tradicional, ou por ciclos, com mais alunos de idades diferentes na mesma sala. Segundo a pedagoga e psicopedagoga Edimara Lima, a vantagem do método é que o aluno pode aprender de acordo com seu ritmo: “Quem caminha mais rápido vai mais rápido, e quem precisa ir mais devagar recebe tarefas paralelas para aprender o que precisa”. “A criança aprende a fazer escolhas, tem exercício de independência e autonomia.” Avaliação: Pode ter provas ou não, de acordo com a escola. Quando não há provas, a avaliação é feita a partir dos registros que o professor tem sobre a produção do aluno. No final do ensino fundamental e do médio pode haver monografia. Escola tradicionalComo funciona: Na pedagogia tradicional o professor é a figura central. Ele ensina as matérias de maneira sistematizada e o aluno absorve esses conhecimentos como se fosse uma “tabula rasa”. Apesar de vigorar em muitas escolas, essa prática se instituiu por “inércia da burocracia e do cotidiano escolar e pela crença de que o conhecimento era imutável e transmissível”, segundo Cecília. Nas aulas tradicionais, os conhecimentos são concebidos como verdades não sujeitas a variações nem à dependência de contextos, diferentemente de pedagogias mais modernas, em que o estudante deve “construir o conhecimento” e não simplesmente absorvê-lo. Avaliação: A forma de promoção é a avaliação, que mede a quantidade de conhecimento que foi memorizada. Quem não alcança a pontuação mínima é reprovado e deve cursar a mesma série novamente. De acordo com a professora, muitas características do ensino tradicional estão presentes no Brasil e no mundo “já que a própria formação de professores ainda é extremamente tradicional”. Escola WaldorfComo funciona: A pedagogia Waldorf prioriza as necessidades do desenvolvimento do estudante. A trajetória da criança é composta por ciclos de sete anos, nos quais ela tem um tutor. As aulas do ensino infantil nesse sistema tem ênfase em artes e em trabalhos manuais, como marcenaria, culinária etc. Diferentemente do ensino tradicional, em que os alunos tem preocupações com horários e conteúdo a ser aprendido, na Waldorf o que é levado em conta são as etapas de desenvolvimento do estudante. Tendência democráticaComo funciona: As escolas democráticas são baseadas na Escola Summerhill, nascida na Inglaterra. Segundo a professora Cecília, elas são uma uma crítica à educação tradicional, que seria baseada no “medo e no controle baseado em ameaças veladas, presenças obrigatórias e outras imposições”. Seu grande diferencial é que seus alunos não são “obrigados” a assistir as aulas obedecendo um cronograma comum, único. Eles escolhem as atividades a fazer de acordo com seus interesses. Avaliação: Para avaliar os alunos, procura-se abolir também lições de casa e provas; a avaliação é feita por sua participação e por trabalhos que podem ser escritos, artísticos etc.

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AS IDÉIAS DE JECA TATU: A PEDAGOGIA TRADICIONAL.

Segunda-feira, Julho 14, 2008


A pedagogia tradicional não é fruto das idéias de um filósofo ou pensador específico, mas de uma prática que se estende ao longo dos séculos.

Esse paradigma da educação é altamente influenciado pelo pensamento cartesiano e pela visão mecanicista e determinada do mundo.

Para a pedagogia clássica, a criança era uma tábula rasa na qual o professor imprimia as informações sobre o mundo. Essas informações eram baseadas nas grandes realizações de gênios e pensadores do passado, vistos como modelos a serem imitados.

Entre os seus princípios básicos estão: a estrutura piramidal, o formalismo e a memorização, o esforço e a competição e o respeito à autoridade.

A estrutura piramidal vem do princípio cartesiano segundo o qual, para resolver um problema, é necessário separá-lo em partes e resolve-las uma a uma, indo das mais simples às mais complexas. Esse princípio reza que a criança é incapaz de apreender a complexidade e, portanto, os conteúdos devem ser repassados em pequenos fragmentos.

O formalismo e a memorização são uma das bases dessa prática pedagógica. Uma vez que a pedagogia clássica acredita que o aluno deve seguir um modelo, a memorização é o melhor caminho para faze-lo. Para garantir que o aluno memorizou, o mestre toma a lição do aluno, que deve responder repetindo com exatidão o que foi dito em sala de aula.

O esforço, para esse paradigma, é necessário à educação. Para estimulá-lo, os alunos que conseguem seguir os modelos recebem prêmios (medalhas, distinções, quadro de honra) e os que não conseguem devem ser castigados. Ao aluno não é ensinado a cooperar, mas a competir. As atividades são feitas individualmente (a maioria delas simples reproduções do conteúdo repassado), e não em grupo.

O respeito à autoridade nos diz como a pedagogia tradicional vê a atuação do professor. Ele é um depositário de conhecimentos, uma autoridade, um modelo, que reflete os modelos do passado glorioso da humanidade (os grandes filósofos, grandes cientistas).

A escola é organizada na forma de uma pirâmide em que o aluno encontra-se sujeito à autoridade do professor e este sujeito à autoridade do inspetor e este sujeito à autoridade do diretor, em graus hierárquicos sucessivos típicos daquilo que Marshall McLuhan chamou de Galáxia de Gutemberg, em que a informação classificadora é mais importante que a informação relacional ou a informação relevante.

A principal metodologia de ensino é a aula expositiva e a demonstração do professor à classe, tomada como auditório passivo. Ao aluno cabe apenas receber passivamente as informações transmitidas pelo professor e repeti-las corretamente. Paulo Freire chamou essa pedagogia de educação bancária, pois o professor “deposita”os conteúdos na cabeça dos alunos.

A avaliação é uma forma de verificar se o aluno reteve o conhecimento repassado pelo professor, e não uma oportunidade de reelaborar o conhecimento. Se o aluno não conseguiu decorar o que o professor passou, é punido com uma nota baixa (antigamente a punição incluía até castigos físicos). Na sua versão mais difundida, a avaliação é feita pontualmente, através de prova. Em um único momento, o aluno é testado e seu desempenho no processo de aprendizagem tem pouca importância na avaliação.

A sala de aula é vista como local privilegiado de aprendizado e as experiências exteriores a ela são pouco valorizadas.

Embora venha sendo criticada há mais de um século, a pedagogia tradicional está presente em quase todas as salas de aula. A maioria dos colégios e faculdades, apesar do discurso, ainda privilegia a pedagogia tradicional. Os professores são estimulados a repassarem avaliações tradicionais, o que facilita o processo burocrático interno. Além disso, a maioria das instituições ainda vê a sala de aula como o único local possível de aprendizagem, daí a exigência de cumprimentos de horários na sala, em detrimento das possibilidades exteriores ao ambiente escolar (pesquisas, passeios, participação em eventos). A palmatória se foi, mas a educação tradicional ainda continua arraigada na prática escolar.

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O QUE É TENDENCIA PEDAGOGICA TRADICIONAL.

As tendências Pedagógicas estão divididas em:

1. Tendências Idealistas-Liberais:
Pedagogia Tradicional: O papel da escola é para o preparo intelectual, Iniciou-se no século XIX e domina grande parte do século XX, sendo ainda hoje utilizada. Inclui tendências e manifestações diversas.
Pedagogia Renovada: É a chamada Pedagogia Nova, conhecida como movimento do Escolanovismo ou Escola Nova, origina-se na Europa e Estados Unidos, no final do século XIX, influenciando o Brasil por volta dos anos 1930.
Pedagogia Tecnicista: Determinada pela crescente industrialização, quando a Pedagogia do Escolanovismo não responde às questões referentes ao preparo de profissionais. Desenvolveu-se na Segunda metade do século XX nos Estados Unidos e no Brasil de 1960 a 1979.

2.Tendências Realistas-Progressistas:
Pedagogia Libertadora: Parte de uma análise crítica das realidades sociais, sustentando as finalidades sócio-políticas da educação. Iniciou-se nos anos 1960.
Pedagogia Libertária: Procura a independência teórica-metodológica. Dá maior ênfase às experiências se autogestão, à prática da não diretividade e à autonomia. Constitui-se em mais um instrumento de luta do professorado, ao lado de outras práticas sociais, pois não tem como institucionalizar-se na sociedade capitalista.
Pedagogia Histórico-Crítica: Surge no fim dos anos 1970, em contraposição à escola que reproduz o sistema e as desigualdades sociais. Dê ênfase às relações interpessoais e ao crescimento que delas resulta, centrado no desenvolvimento da personalidade do indivíduo, em seus processos de construção e organização pessoal da realidade e em sua capacidade de atuar como uma pessoa integrada.

Podemos esquematizar as principais características dessas pedagogias baseadas em Fusari e Ferras (1993. p.22-23), Pessi (1994. P. 26-31) e Mizukami (1986. P. 7-103), sob forma de mapas conceituais.

Fonte(s):

http://www.cedap.assis.unesp.br

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A PEDADOGIA TRADICIONAL E SUAS CARACTERISTICAS

A Pedagogia Tradicional.

a) Características e préstimos no quadro da Sociedade Tradicional.

b) Transformações sociais, económicas, políticas e educativas nos séculos XVIII-XX:

1- Na Europa e no Mundo;

2- Em Portugal.

“Espartanos, Romanos, Chineses, cidadãos do Novo Mundo ou da velha Europa, a sua

ambição em relação aos filhos nunca foi senão transmitir as verdades de que se criam depositários.

Ora, no dia em que nos voltámos com um zelo absoluto para a criança – um dos termos da educação

– começámos por nos indignar com um abuso: as noções a inculcar tinham, até então, absorvido

tudo no processo educativo. Tratava-se agora de observar o ser a educar e de preencher as suas

necessidades: tanto pior se as matérias escolares ficavam para segundo plano, o que importava

acima de tudo era libertar a criança. Foi-se até ao ponto de pretender que esta, deixada em liberdade,

encontraria o seu caminho (…)”. Angéla Medici

TEXTO 1

Os inovadores modernos – mais precisamente os defensores da «educação nova – na sua

maioria, multiplicaram, como nós o sublinhámos, os contrastes entre dois tipos de pedagogia: aquela

que eles preconizavam e uma outra que, no seu espírito, reunia todos os vícios opostos às virtudes

da outra ! Ao ler esses autores, tem-se a impressão de que bastaria, para progredir, fazer

precisamente o contrário do que se fazia antes: seria, portanto, necessário substituir em vez de

reformar.

Na realidade, o «bom senso» pedagógico e um exame crítico mais aprofundado das práticas

tradicionais e dos métodos modernos conduzem-nos a uma visão mais equilibrada do problema.

Após os entusiasmos excessivos dos começos, chega-se hoje a uma apreciação mais serena e mais

racional.

Tentemos, esquematizando um pouco, enumerar as censuras dirigidas à escola antiga,

opondo-lhes as exigências que a escola actual formula e se esforça por realizar.

A escola antiga era, diz-se, uma escola livresca que confundia memória e inteligência, e se

limitava a um ensino verbal e dogmático. A escola nova, ao contrário, desconfia do manual,

suprimindo-o mesmo, por vezes, sob a sua rotina habitual; ergue-se contra o psitacismo e condena o

«magister dixit». A escola antiga não se preocupa senão com transmitir conhecimentos, é

essencialmente didáctica, enquanto a escola moderna visa sobretudo o «saber fazer», as capacidades

de realização e de criação. A escola antiga é silenciosa e receptiva, não conhece senão o «monólogo

magistral», é «a escola sentada», faz apelo aos «imperativos categóricos» e à «disciplina militar». A

escola nova, ao contrário, é activa e por vezes barulhenta como uma feira, pratica o «self

government», e baseia-se na liberdade do trabalho. A escola de outrora não conhecia senão o aluno

médio e o grupo; a de hoje repudia o ensino puramente colectivo, é uma escola «por medida», é

individualizante. A escola tradicional confunde adestramento e educação, é enciclopédica, exalta «o

esforço pelo esforço», mesmo que este seja inútil; os educadores modernos insistem na

autoformação, no eclectismo em matéria de conhecimentos, fazem apelo aos interesses naturais do

aluno e ao êxito para motivar o esforço. No passado, os programas são estruturados logicamente,

são séries de disciplinas autónomas progressivamente alargadas, ao passo que hoje adoptam-se, de

preferência, programas-objectos nos quais desaparecem as distinções intrínsecas entre as matérias

Correntes do Pensamento Pedagógico Contemporâneo

1

– Semana 2de estudo; fala-se de «centros de interesse», de «unidades de trabalho» e insiste-se na integração dos

conhecimentos, no seu natural encadeamento; põe-se em relevo a cooperação entre os professores e

entre os alunos. Na escola antiga, desconfia-se da coeducação, sobretudo a partir de uma certa

idade, enquanto que os partidários da educação nova a recomendam e não encontram nela senão

vantagens, sob todos os pontos de vista. À educação estática, essencialista, conformista do passado,

opõe-se a escola dinâmica, existencialista, progressista…

Se examinarmos agora, com serenidade e objectivamente, em que medida os termos da

comparação se excluem numa acção educativa autêntica e completa, chegaremos à conclusão de que

apenas posições extremistas num ou noutro sentido são inconciliáveis. Com efeito, as práticas da

escola tradicional e as da escola nova – desde que elas não sejam caricaturas ou deformações da

realidade – encontram uma justificação evidente, mas parcial, na própria natureza da educação. Há,

na base da pedagogia tradicional, verdades incontestáveis, tão incontestáveis como aquelas que os

modernos defendem. O perigo estaria em não se basear senão sobre umas ou sobre as outras.

Apresenta-se muitas vezes o «teaching» e o «learning» como termos antagónicos,

simbolizando o segundo a conquista pessoal do saber. Mas, igualmente aqui, as oposições não são

nem podem ser exclusivas. Um ensino digno desse nome não pode contentar-se nem com uma nem

com outra coisa. É necessário associá-las numa justa proporção. Como poderia o aluno descobrir

tudo por si mesmo?

Acontece o mesmo com as outras antinomias complacentemente multiplicadas entre o

passado e o presente. Elas não são irredutíveis, mas designam tendências complementares. Convém

antes fazê-las convergir que divergir, combinando-as numa justa concepção da acção educativa.

E quanto ao professor companheiro? Ninguém, com certeza, pode duvidar de que a educação

e o ensino encontram uma forte motivação nos laços de afecto e de compreensão humana que unem

professores e alunos.

perigoso: a familiaridade e a simplicidade podem muito bem acomodar-se com a autoridade. Esta

impõe-se pela própria personalidade do mestre e não por prescrições sem fim e ameaças. No

entanto, não é necessário pôr-se ao nível dos alunos, como se se tratasse de um deles; ainda que

vivendo e trabalhando lado a lado, convém que o professor fique superior aos alunos.

Em resumo, portanto, pode afirmar-se que não há um fosso intransponível entre os

tradicionalistas e os inovadores. O erro e o perigo residem antes nas atitudes intransigentes e

exclusivas. O velho adágio «o excesso em tudo é um defeito» aplica-se ao domínio pedagógico

como a qualquer outro domínio. Que venha a haver, um dia, acordo completo entre as tendências

opostas, é pouco provável …

PLANCHARD, Émile,

1975, pp. 121-137.

Mas querer suprimir toda a distância entre os dois é seguir um caminhoA pedagogia contemporânea, Coimbra Editora, Coimbra,Correntes do Pensamento Pedagógico Contemporâneo

2

– Semana 2PEDAGOGIA TRADICIONAL PEDAGOGIA MODERNA

Livresca; base no manual Condena o

magister dixitTransmissão de conhecimentos “saber fazer”, capacidade de criação

Silêncio, receptividade, disciplina Actividade, “self-government”,

liberdade

Dirigida ao aluno médio e ao grupo Ensino individualizante

Educação = adestramento; Educação = autoformação

Programas logicamente estruturados;

disciplinas autónomas

Interdisciplinaridade; encadeamento

dos conhecimentos

“Não” à coeducação “Sim” à coeducação

Estática, conformista, essencialista Dinâmica, progressista, existencialista

Base filosófica, intuitiva Base experimental

Emulação, competição Auto-emulação; cooperação

Professor autoritário, distante Professor companheiro, democracia

Esforço pelo esforço Motivação, interesse

Adaptação de PLANCHARD, Émile,

Coimbra, Coimbra Editora, pp. 121-137.

A Pedagogia Contemporânea,ESCOLA ANTIGA ESCOLA MODERNA

ORGANIZAÇÃO

Programas divididos em pequenas

unidades

Grandes áreas; domínios funcionais

programáticos

Lições decididas sem intervenção

dos alunos

Alunos tomam parte na escolha

Distinção rígida entre actividades

escolares e extra-escolares

Supressão da barreira entre a escola e

a vida

Ensinar capacidades através de

exercícios isolados

Desenvolver capacidades no quadro

duma actividade funcional

MOTIVAÇÃO

A criança é obrigada a fazer o que

não escolheu

A criança associa-se à decisão da

tarefa a realizar; motivação

Explora a competição como força

motivacional

O aluno realiza a tarefa em

cooperação

CRONOLOGIA Ordem lógica na sequência Plano flexível

CONTEÚDOS DO

ENSINO

Só matérias académicas Toda a experiência humana

Ignora a comunidade; utiliza

apenas material escolar

Explora a comunidade; utiliza

material extra-escolar

Adaptação de CLAUSSE, Arnould, “Os problemas pedagógicos hoje”, in

AAvv.,

Educação ou condicionamento, Centelha, Coimbra, pp. 72-74.Correntes do Pensamento Pedagógico Contemporâneo

3

– Semana 2TEXTO 2

Já Durkheim dizia substancialmente o seguinte: assim como é preciso mais de um ponto para

determinar a direcção de uma linha, assim também o ponto matemático que é o presente não nos

permite compreender o sentido de uma realidade. (…) Um facto, qualquer que ele seja, uma

instituição, uma ideia é muitas vezes rico de um passado que não aparece à superfície e não pode ser

compreendido senão ligando-o à linha histórica de que ele é o termo provisório.

(…)

É preciso levar o homem a situar a sua época, com toda a complexidade dos seus aspectos

múltiplos, e a situar-se, com toda a riqueza da sua natureza progressivamente desenvolvida.

O ensino deve, portanto, ligar os conhecimentos, como, aliás, todas as realidades humanas e

institucionais, às suas origens e ao seu desenvolvimento, acompanhando, por qualquer caminho que

seja, as suas vicissitudes ao longo da história. Procedendo assim, ele fá-las-á aparecer como

acontecimentos humanos, que respondem a exigências humanas e dará ao indivíduo, ao mesmo

tempo que o autêntico sentido da história que é relatividade, a consciência autêntica de uma

dependência e a orientação para o futuro que é vontade e possibilidade de avanço.

A propósito da escola, é incontestável que o nosso sistema escolar actual é um conjunto muito

complexo, quer no seu conteúdo como na sua organização, nas suas técnicas como no seu espírito.

Nesse conjunto, há do melhor e do pior, elementos fósseis e elementos vivos. Ora, não é possível

emitir um juízo que escape às sugestões de abstracções discutíveis, e, portanto, fazer as distinções

que se impõem, sem conhecer a génese e as vicissitudes dos aspectos modernos da escola.

Ao longo de toda a história, a educação obedece a certas «leis», a certas exigências

constantes que importa pôr em evidência se se quer compreender o seu desenrolar e as suas

vicissitudes como também se se pretende emitir um juízo válido, despido de toda a conotação

subjectiva e sentimental, sobre o seu estado actual.

Mas quando falamos de exigências constantes, isso de modo algum implica que atribuamos

qualquer crédito a uma concepção do homem que se definiria pela permanência de urna natureza

autónoma e

épocas, quaisquer que fossem, além disso, as condições em que esse homem eterno procurasse

realizar-se. Se o Homem eterno existe, ele é para nós inutilizável. As únicas considerações que

podem trazer elementos positivos ao nosso propósito são as formas particulares sob que essa

humanidade hipoteticamente imutável se nos apresenta nos diferentes momentos da história. A

sui generis e cujas exigências, por consequência, se revelariam idênticas em todas aspedagogia perennis

realidade. No momento em que queremos precisar o seu sentido e preencher os seus quadros,

apercebemo-nos de que as mesmas palavras escondem intenções muito diferentes e frequentemente

contraditórias. Um relance, mesmo rápido, sobre a evolução dos sistemas pedagógicos revela-nos

que, para além das exigências de uma humanidade abstracta e eterna, é sempre segundo as

perspectivas de uma concepção muito particular e muito contingente do homem que se orientam as

intenções e que se definem os postulados e os princípios mais elementares e, na aparência, os mais

indiscutíveis da pedagogia. É mesmo preciso ir muito mais longe: em época alguma se trata, no

plano educativo, do Homem (por mais contingente que seja a sua concepção), mas dos homens

considerados na variedade, se não nas oposições, da sua realidade viva e concreta.

Além disso, qualquer ambição de explicar a história seria perigosa e vã se julgasse poder

esgotar a totalidade da realidade. O número e a variedade dos elementos que entram em jogo são de

tal modo consideráveis, as acções recíprocas que eles exercem uns sobre os outros são de tal modo

múltiplas, subtis e complexas, que seria temerário querer encerrá-los numa teoria ou numa

concepção única que englobasse a totalidade do fenómeno.

CLAUSSE, Arnould,

13-16

não é mais que um conjunto de fórmulas vazias de todo o conteúdo e de toda aA relatividade educativa, Livraria Almedina, Coimbra, 1976, pp.Correntes do Pensamento Pedagógico Contemporâneo

4

– Semana 2

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Métodos da Pedagogia Tradicional.

Os métodos baseiam-se tanto na exposição verbal como na demonstração dos conteúdos, que são apresentados de forma linear, ignorando as experiências trazidas pelos alunos, tornando a prática pedagógica estática, sem questionamentos da realidade e das relações existentes, sem pretender qualquer transformação da sociedade, daí deriva o caráter abstrato do saber. A tendência tradicional predomina há quatro séculos e meio de existência da nação brasileira que sempre se caracterizou pelo intelectualismo. Podemos dizer que essa tendência dominou fortemente no Brasil até 1930. É marcada pela concepção do homem em sua essência natureza, sua realização como pessoa através do seu próprio esforço. A pedagogia tradicional preocupa-se com a universalização do conhecimento. O treino intensivo, a repetição e a memorização são as formas pelas quais o professor, aqui considerado detentor do saber, transmite os conteúdos a seus alunos, que são agentes passivos deste processo. Os conteúdos são verdades absolutas, dissociadas do cotidiano do aluno e de sua realidade social.

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O que é Pedagogia Tradicional?

A pedagogia tradicional é uma proposta de educação centrada no professor cuja função define-se por vigiar os alunos, aconselhá-los, ensinar a matéria e corrigí-la. A metodologia decorrente de tal concepção tem como princípio a transmissão dos conhecimentos através da aula do professor, freqüentemente expositiva, numa seqüência predeterminada e fixa, enfatiza a repetição de exercícios com exigências de memorização .
Valoriza o conteúdo livresco e a quantidade. O professor fala, o aluno ouve e aprende. Não propicia ao sujeito que aprende um papel ativo na construção dessa aprendizagem, que é aceita como vinda de fora para dentro. Muitas vezes não leva em consideração o que a criança aprende fora da escola, seus esforços espontâneos, a construção coletiva.
A figura do professor como detentor do saber é uma força motriz nessas escolas.
A função primordial da escola, nesse modelo, é transmitir conhecimentos disciplinares para a formação geral do aluno, formação esta que o levará, ao inserir-se futuramente na sociedade, a optar por uma profissão valorizada.
Na maioria das escolas essa prática pedagógica se caracteriza pela sobrecarga de informações que são veiculadas aos alunos, o que torna o processo de aquisição de conhecimento, muitas vezes burocratizado e destituído de significação.
A postura da escola se caracteriza como conservadora. No processo de alfabetização, apoia-se principalmente nas técnicas para codificar/decodificar a escrita. A escrita espontânea da criança em fase de alfabetização não é levada em conta, sendo a cartilha seqüencialmente seguida, a base do processo de alfabetização.

Fonte(s):

http://www.centrorefeducacional.com.br/e

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